Entre Duas Ditaduras: Fascismo e Salazarismo

As ditaduras que houveram em Portugal e na Itália no século XX tem vários aspetos em comum. Nesses dois países, Salazar e Mussolini atingiram o poder através das dificuldades sociais, políticas e econômicas enfrentadas para Itália e Portugal no início do século XX. No entanto, o preço da estabilidade política e econômica garantida por essas ditaduras (por causas das quais os dois ditadores eram considerados salvadores da pátria) foi a repressão das liberdades individuais dos cidadãos, a censura, a doutrinação ideológica e o poder absoluto do partido único.

Entre 1910 e 1926 houve em Portugal a Republica Nova, que marcou a passagem da monarquia a democracia. Porém, este período de democracia não trouxe paz no país mas apenas uma complicada confusão social e política. Esses anos turbulentos determinaram a instituição de 26 governos em aproximadamente 16 anos. Por causa desta instabilidade, em 1926 houve um golpe após do qual o Portugal foi subjugado a uma ditadura militar que foi sucessivamente substituída para o Estado Novo e a ditadura Salazarista que permaneceu até a Revolução dos Cravos do 25 abril 1974.

Algo parecido aconteceu na Itália. No início do Século XX a Itália era ainda um estado jovem, sendo que foi apenas em 1861 que o Reino de Itália foi proclamado. No início da Primeira Guerra Mundial, o jovem jornalista Benito Mussolini criou o movimento que, em 1922, se tornou oficialmente no Partido Nacional Fascista. Uma diferencia fundamental entre o Estado Novo e a Itália fascista é a seguinte: Mussolini não subverteu completamente, pelo menos de um ponto de vista formal, a estrutura do monarquia na Itália mas mudou muitas das suas características para se tornar “Duce” (equivalente de Führer) e permitir o governo absoluto do seu partido que governou até a derrota na Segunda Guerra Mundial em 1943.

Durante a época do Estado Novo em Portugal e o fascismo na Itália, houve órgãos políticos e sociais que preservavam e propagavam as ideologias de cada ditadura. Os mais importantes eram os partidos dos dois ditadores, o Partido da União Nacional por Salazar e o Partido Nacional Fascista por Mussolini, que não permitiam a presencia de outros partido ou movimentos políticos. Também a polícia tinha um papel neste contesto porque garantia a repressão das correntes anti-fascistas (a OVRA na Itália) e anti-salazaristas (a PIDE em Portugal) tão prendendo os dissidentes quanto aplicando as regras férreas da censura.

No assunto da doutrinação ideológica, todos os artigos e as notícias publicadas nos jornais eram, obviamente, sujeitos a censura para que a população não entrasse em contato com ideias reputadas perigosas para os regimes. Até mais relevante era o papel desempenhado pelas escolas, onde o ensino era limitado para os confins das ideologias salazarista e fascista. Neste respeito, as novas gerações foram influenciadas para o ensino dos princípios das duas ditaduras e para alcançar este objetivo em Portugal foi criada a organização da Mocidade Portuguesa (1936) e, na Italia, a Gioventù Italiana del Littorio (1937).

Apesar das características sociais, políticas e ideológicas parecidas entre essas duas ditaduras, a peculiaridade do Estado Novo encontra-se no fato que a ditadura em Portugal sobreviveu até 1974 e foi subvertida através de uma revolução pacifica após da qual os princípios democráticos do início do século XX foram finalmente reinstaurados.

Vídeos sugeridos:
– “Debate sobre o Salazarismo”: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/debate-sobre-o-salazarismo/.
– “Retrospetiva do Salazarismo”: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/retrospetiva-do-salazarismo/.

Artigo sugerido:
“Fascismo e Salazarismo”: https://observador.pt/opiniao/fascismo-e-salazarismo/.

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